Diversidade social do Brasil
Diversidade social do Brasil A sociedade brasileira é formada no caldeamento de muitas culturas. Por muito tempo, sua base foi tratada como o produto do tripé formado por indígenas, negros e brancos. Essa redução, no entanto, não dá conta da enorme multiplicidade das raízes brasileiras. Três obras na Coleção Sartori tratam da diversidade étnicocultural na formação do Brasil, onde as formas de autoidentificação estão mudando. Mas esta mudança varia em cada sociedade. Nos Estados Unidos, por exemplo, um brasileiro “branco” não é considerado white (branco), mas hispânico. O projeto Tintas Polvo, de Adriana Varejão, é formado por tubos de tinta para pintura artística com rótulos de identificação das cores como um DNA brasileiro e um polvo étnico: fogoió, branca suja, enxofrada, cor de cuia, puxa pra branca, morenão, cor firme e outras. A artista se baseou num censo do IBGE que pediu a cada pessoa indicar sua “raça”, resultando em quase cem hipóteses de origem. A Missa móvel, de Nelson Leirner, consiste num skate que porta dezenas de imagens religiosas e outras que aludem ironicamente à diversidade da formação do Brasil: santos católicos, orixás (incluindo caciques e ciganos), maneki neko (o gato japonês que balança os braços) e outros. Contudo, Nelson Leirner excluiu
do conjunto qualquer figura vinculada à sua origem judaica, o que representa uma perda de potência da obra. Essa lacuna foi preenchida na exposição com o retrato psíquico das qualidades de Clarice Lispector, por Walmor Corrêa. Em Geometria brasileira chega ao paraíso tropical, Rosana Paulino expõe a origem indígena e africana do Brasil e critica o modo como tais etnias são tratadas pela supremacia branca na história: a redução à mera extensão da natureza “selvagem”, a negação cultural, o apagamento na vida social, a apropriação sexual violenta dos corpos femininos (estupro, sexualização dos corpos nus por fotógrafos etc.), a indiferença da antropologia no século XIX pela sorte dos escravizados. A instalação Área indígena, do guarani Xadalu Tupã Jekupé, que indica que o MARGS se constrói sobre um antigo território indígena, hospeda a diversidade do Brasil.
Paulo Herkenhoff, catálogo da exposição no MARGS, 2022
29 obras
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Nelson LeirnerFigurativo Abstrato, 2004Adesivo madeira · 100 X 130 X 4 cm
Nelson LeirnerMapa (da Série "Assim É... Se Lhe Parece" (4))., 2003Adesivo sobre papel · 100 X 100 cm
Nelson LeirnerMissa Móvel, 2010Mista sobre skate · 38 x 160 x 22 cm
Nelson LeirnerSothebys, DólarMista · 29 X 23 X 11 cm
Nelson LeirnerSothebys, EgípcioMista · 29 X 23 X 11 cm
Rosana PaulinoGeometria Brasileira Chega ao Paraíso Tropical # 54, 2018Impressão digital, colagem e monotipia sobre papel · 48 X 33 X 3 cm
Walmor CorrêaLupicínio Rodrigues (Série Mapeamento Cognitivo), 2017Impressão fotográfica de 4 corres sobre placa de LED TEC, em caixa de acrílico · 26,3 X 21,8 X 7 cm
Walmor CorrêaGrande Otelo (Série Mapeamento Cognitivo), 2017Impressão fotográfica de 4 corres sobre placa de LED TEC, em caixa de acrílico · 26,3 X 21,8 X 7 cm
Walmor CorrêaClarisse Lispector (Série Mapeamento Cognitivo), 2017Impressão fotográfica de 4 corres sobre placa de LED TEC, em caixa de acrílico · 26,3 X 21,8 X 7 cmSem imagemXadaluPapa I (Série Seres Invisíveis), 2016Impressão em chapa de radiografia sobre caixa de luz · 43 X 30 X 8 cm
XadaluTenondé (Série Seres Invisíveis), 2016Impressão em chapa de radiografia sobre caixa de luz · 43 X 30 X 8 cm
XadaluXariã (Série Seres Invisíveis), 2016Impressão em chapa de radiografia sobre caixa de luz · 43 X 30 X 8 cm
XadaluJaci (Série Seres Invisíveis), 2016Impressão em chapa de radiografia sobre caixa de luz · 43 X 30 X 8 cmSem imagemXadaluVhera (Série Seres Invisíveis), 2016Impressão em chapa de radiografia sobre caixa de luz · 43 X 30 X 8 cm
XadaluDona (Série Seres Invisíveis), 2016Impressão em chapa de radiografia sobre caixa de luz · 43 X 30 X 8 cm
XadaluNhemongaray (Série Cosmovisão), 2019Gravura em metal · 81,5 X 108 cmSem imagemXadaluYvi`i (Série Cosmovisão), 2019Gravura em metal · 38 X 51,5 cmSem imagemXadaluOpy`i (Série Cosmovisão), 2019Gravura em metal · 56 X 54 cm
XadaluInvasão Colonial Meu Corpo Nosso Território #1, 2019Impressão sobre papel e colagem sobre madeira · 165 X 71 cm
XadaluInvasão Colonial Meu Corpo Nosso Território #2, 2019Impressão sobre papel e colagem sobre madeira · 165 X 71 cm
XadaluInvasão Colonial Meu Corpo Nosso Território #3, 2019Impressão sobre papel e colagem sobre madeira · 165 X 71 cm
XadaluInvasão Colonial Meu Corpo Nosso Território #4, 2019Impressão sobre papel e colagem sobre madeira · 165 X 53 cm
XadaluInvasão Colonial Meu Corpo Nosso Território #5, 2019Impressão sobre papel e colagem sobre madeira · 165 X 40 cm
XadaluInvasão Colonial Meu Corpo Nosso Território #6, 2019Impressão sobre papel e colagem sobre madeira · 165 X 71 cm
XadaluInvasão Colonial Meu Corpo Nosso Território #7, 2019Impressão sobre papel e colagem sobre madeira · 165 X 49 cm
XadaluTesouro do Céu, 2021Pintura sobre papel, costura e colagem de tecido · 194 X 180 cm
XadaluSeres InvisíveisEsculturas indígenas talhadas em madeira · Onça - 10 x 28 x 10 cm / Tatu - 13 x 36 x 8cm / Jacaré - 6 x 32 x 12cm / Coruja - 31 x 11 x 7 cm / Gavião - 24 x 9 x 7 cm
XadaluNheru "Existe Uma Cidade Sobre Nós", 2021Agua tinta e agua forte com aplicação de nanquim amarelo · 78 x 53, 5 cmHistórias
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