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Coleção Sartori
Núcleo 01 de 12

Afrodescendentes

Descolonização, memória da escravidão, emancipação

A explosão da arte dos afrodescendentes é o mais importante salto estético do Brasil nas primeiras décadas deste século, porque é a arte da maioria da sociedade. Não é arte sobre negros (como A negra, de Tarsila do Amaral), mas é autoexpressão. A Coleção Sartori montou um grupo afro com Maria Lídia Magliani, Leandro Machado, Rosana Paulino, Arjan Martins, Jaime Lauriano, Helô Sanvoy, Moisés Patrício, P.V. Dias e Elian Almeida. Aqui, alguns desses artistas são agrupados para dar relevo à força coletiva; outros se inserem em outras pautas. O racismo estrutural persiste, obrigando ainda a fazer referências à identidade étnica para visibilizar a exclusão e o preconceito. Há arte afro-brasileira dedicada à história da escravização com focos específicos, como a violência contra os corpos escravizados, o trato negreiro, a indiferença da antropologia com a sorte dos escravizados (Rosana Paulino), a cartografia do cativeiro (Jaime Lauriano), as matrizes religiosas africanas (Moisés Patrício).

“Sou um negro artista”, afirma Leandro Machado. Ele produz retratos emblemáticos de sua autoestima como afrodescendente, como a Bola, que “é uma pérola, uma conta que enrolo entre a palma das mãos,” diz o autor. Bola é uma esfera com força biopolítica alusiva ao globo da diáspora. Machado simulou a empresa Lojas Africanas (2014) ironizando a congênere Lojas Americanas, usou a logomarca e a tipografia desta para indicar a existência de consumidores pretos que merecem respeito por suas demandas. Em Da cabeça às costas, Helô Sanvoy elabora um chicote, trançando dois tentos (fitas) de couro de boi e duas mechas de seu cabelo crespo. A ponteira do chicote é trançada com o cabelo ainda na cabeça. A obra justapõe o vídeo ao chicote. A arte de Sanvoy se entrecruza com a vida rural de Goiás, o trabalho escravo, a memória coletiva dos corpos pretos torturados, açoitados. Ele argumenta que violência e racismo estrutural são realidades persistentes e urge torná-las visíveis para que ambos sejam erradicados. 19

Paulo Herkenhoff, catálogo da exposição no MARGS, 2022

PólisArjan MartinsPólis, 2010Técnica mista sobre compensado · 120 X 165 X cmTia Perciliana (Vogue Brasil)Elian AlmeidaTia Perciliana (Vogue Brasil)Tinta acrílica sobre tela · 106 X 75 cmDa Cabeça Às Costas IiHelô SanvoyDa Cabeça Às Costas Ii, 2019Vídeo e objeto com couro de boi e cabelo do artista · Dimensões variadasBrinquedo de Furar Moletom (Polícia Militar 1)Jaime LaurianoBrinquedo de Furar Moletom (Polícia Militar 1), 2018Tijolos coloniais e miniatura de carro de polícia fundida em latão e cartuchos de munição recolhido de zonas de conflitos armados em cidades brasileiras · 28 X 45 X 21 cmSem imagemJaime LaurianoNão Respeitamos Símbolos Racistas, 2021Desenho feito com pemba branca (giz utilizado em rituais de Umbanda) e lápis dermatográfico sobre algodão preto · 158 X 198 cmA Negação do Brasil IiLeandro MachadoA Negação do Brasil Ii, 2001Impressão xilográfica sobre convite para o lançamento do filme A negação do Brasil – O negro na telenovela brasileira, de Joel Zito Araújo, Universidade Livre/CECUNE · 32 X 23,5 cmLojas Africanas – LogoplacaLeandro MachadoLojas Africanas – Logoplaca, 2014Impressão fotográfica sobre papel · 93 X 63 cmDe Quem É o Corpo Que Pode Ser Torturado?Leandro MachadoDe Quem É o Corpo Que Pode Ser Torturado?, 2017Serigrafia sobre papel Canson 140g e lápis de cor · 29,7 X 42 cm“Bola”Leandro Machado“Bola”, 2018Impressão fotográfica sobre papel · 123 X 87 cmLojas Africanas – CamisaLeandro MachadoLojas Africanas – Camisa, 2018Serigrafia sobre camiseta · 68,5 X 77,5cmLojas Africanas – CamisaLeandro MachadoLojas Africanas – Camisa, 2018Impressão fotográfica sobre papel · 90 X 60 cmA Negação do Brasil ILeandro MachadoA Negação do Brasil I, 2001Impressão xilográfica sobre convite para o lançamento do filme A negação do Brasil – O negro na telenovela brasileira, de Joel Zito Araújo, Universidade Livre/CECUNE · 32 X 23,5 cmEm Gerais, Algumas SombrasMaria Lídia MaglianiEm Gerais, Algumas Sombras, 1990Óleo sobre tela · 70 X 93 X 3 cmSem Título (Série Álbum de Família)Moisés PatrícioSem Título (Série Álbum de Família), 2020Tinta acrílica sobre tela, escultura de bucha vegetal e amarrador de cabelo · 190 X 163 X 4 cmSem Título (Série Álbum de Família)Moisés PatrícioSem Título (Série Álbum de Família), 2020Acrílica sobre papel · 68 X 50 X 4 cmSem Título ( Série Álbum de Família)Moisés PatrícioSem Título ( Série Álbum de Família), 2020Acrílica sobre papel · 68 X 50 X 4 cmSem Título (Série Álbum de Família)Moisés PatrícioSem Título (Série Álbum de Família), 2020Acrílica sobre papel · 68 X 50 X 4 cmSem imagemMoisés PatrícioPalha da Sorte 3, 2021Palha da costa, barbante e escultura de Preto Velho pintada sacralizada (Pai Matias) · 145 X 29 X 35 cmSem imagemMoisés PatrícioAceita?, 2013-2022Impressão em papel Hahnememühle Fine Art 380gr + objeto · 41 X 31 cmRegresso de Um Proprietário de Si: Transporto-MePv DiasRegresso de Um Proprietário de Si: Transporto-Me, 2021Pigmento mineral sobre papel algodão com Filtro de Realidade Aumentada. · 72 X 72 cmInterior de Uma CasaPv DiasInterior de Uma Casa, 2021Pigmento mineral sobre papel algodão com Filtro de Realidade Aumentada. · 72 X 72 cmTrabalhando em Seu GabinetePv DiasTrabalhando em Seu Gabinete, 2021Pigmento mineral sobre papel algodão com Filtro de Realidade Aumentada. · 72 X 72 cmGeometria Brasileira Chega ao Paraíso Tropical # 54Rosana PaulinoGeometria Brasileira Chega ao Paraíso Tropical # 54, 2018Impressão digital, colagem e monotipia sobre papel · 48 X 33 X 3 cm

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