Antônio Prado
Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul. A cidade onde a Coleção Sartori vive.
Uma cidade de casas de madeira erguida por imigrantes italianos a partir de 1886, tombada pelo IPHAN como o maior conjunto de arquitetura da imigração italiana do Brasil — e, desde 2013, a cidade de uma coleção de arte contemporânea.
Antônio Prado nasceu em 1886 como colônia de imigrantes italianos, no alto da Serra Gaúcha, a cerca de 180 km de Porto Alegre. Cerca de dois mil imigrantes ergueram, entre 1890 e 1940, um centro urbano de casas de madeira que sobreviveu quase intacto — e que hoje é o maior e mais completo conjunto de arquitetura da imigração italiana no Brasil.
Em 1990 o IPHAN inscreveu o conjunto urbano de Antônio Prado nos Livros do Tombo Histórico e Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico: 48 imóveis ao redor da Praça Garibaldi e da avenida principal passaram a ser Patrimônio Cultural Brasileiro. O processo tinha começado em 1987, depois de um grupo de trabalho formado em 1983; a cidade mantém até hoje um escritório técnico do IPHAN no centro histórico.
As casas são feitas de araucária, o pinheiro nativo do sul. Um esqueleto de vigas e pilares, fixado com pregos industrializados, dispensa as diagonais; as tábuas de piso e parede fecham e travam a estrutura ao mesmo tempo. Sobre essa base austera, os carpinteiros multiplicaram beirais, balaustradas, caixilhos, passadiços, sacadas e lambrequins — os rendilhados de madeira que desenham a silhueta da cidade contra o céu.
A língua também resistiu: o talian, dialeto vêneto trazido pelos imigrantes, ainda é falado pela maior parte dos moradores mais velhos. Foi nesse cenário que se filmou O Quatrilho (1995), indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro.
Casa da Neni
Construída em 1910 pelo ourives Antônio Bocchese, a Casa da Neni é o ícone de Antônio Prado: sobrado de araucária pintado de amarelo, três janelas em arco, sacada e lambrequins recortados. Foi o primeiro imóvel da cidade tombado individualmente, no centenário de 1986 — símbolo da campanha que levou ao tombamento de todo o conjunto. Hoje abriga o Museu Municipal de Antônio Prado.
Foi essa fachada que Paulo Herkenhoff escolheu para a capa do catálogo da exposição no MARGS: A arte contemporânea habita Antônio Prado. A coleção não fica na casa — fica na cidade que ela representa.
A cidade em imagens
Fotos: acervo da Coleção Sartori
Marcos do conjunto tombado
Como chegar
Antônio Prado fica na Serra Gaúcha, a cerca de 180 km de Porto Alegre pela BR-116 e RS-122, passando por Caxias do Sul e Flores da Cunha. O centro histórico se percorre a pé, a partir da Praça Garibaldi. Visitas à coleção acontecem mediante agendamento.