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Coleção Sartori
Núcleo 04 de 12

Bahia de todos os santos

Bahia de todos os santos A Coleção Sartori possui 18 imagens do projeto Imagens de esperança (2020): 150 fotos pela Bahia. São imagens que dão a dimensão pluriétnica da formação social da Bahia por meio de aspectos da vida cotidiana (José Mamede, Cabelo e Barba, banho de mar de meninos em Filhos da esperança, de Edgard de Azevedo, ou em Renan Benedito, Peace; e Max Fonseca, O Primeiro Vagalume) e através da obra de um fotógrafo de origem japonesa (Hirosuke Kitamura, The Sidewinder). O lúdico da Bahia está na festa popular de Santo Amaro da Purificação (Vinicius Xavier, Caretas de Acupe). O encontro simbiótico das religiões está no sincretismo registrado por Adenor Gondim, Menino Deus nas mãos de São Benedito; Kátia Borges, Terno das almas, e Marina Silva, Vermelho, que remete à geografia da baía de Todos os Santos. Merece uma atenção o repertório de imagens do candomblé (Ayrson Heráclito, Ofá de Odé; Andreia Fiamenghi, Menino de Yemanjá; Helen Salomão, Igbagbo; Ismael Sil, Emi Orun; Adriano Machado, Natureza morta; Ivâ Coelho, Como sustentar um corpo, e Ravena Maia, Díptico, ou aquilo que

Fafá Araújo denomina Poética Sagrada). O olhar prevalecente nas escolhas de Paulo Sartori ratifica a espantada constatação do historiador Fernand Braudel em 1959 no ensaio Dans le Brésil bahianais: le présent explique le passé, isto é, no Brasil baiano, o presente explica o passado. Em contrapartida, na história das civilizações, o passado explica o presente, argumenta Braudel. É o que se pode observar nesta seleção baiana de imagens.

Paulo Herkenhoff, catálogo da exposição no MARGS, 2022