Invasão colonial, meu corpo nosso território

Em 2019, uma milícia a serviço da especulação imobiliária começou um crescente processo de ameaças com armas de fogo, intimidação, assédio moral, xingamentos contra a aldeia guarani de Yjere Ponto do Arado no extremo sul do bairro Belém Novo, em Porto Alegre. A aldeia foi isolada por arames farpados de modo a que seu único acesso fosse por barco, e seu poço artesiano foi inutilizado com óleo jogado sobre a água. A pressão aumentou quando um grupo desses milicianos invadiu a aldeia com armas pesadas ameaçando matar o cacique
Karai Timóteo se ele não retirasse seu povo da região. Com muita bravura, o cacique pediu que todos – crianças, mulheres e homens – se reunissem junto a ele e então ordenou aos invasores, em tom desafiador: “Agora atirem!”. A milícia se retirou humilhada pelo heroísmo dos guaranis. O cacique Karai Timóteo propôs a seu povo formar um escudo humano colocando a população ao redor contra a aldeia em audiência pública com o apoio do atual prefeito, que é de extrema direita.
Paulo Herkenhoff, catálogo da exposição no MARGS, 2022


