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Coleção Sartori

Nada está onde se crê: Regina Silveira

Regina Silveira · 2 min de leitura · 6 set 2026

Nada está onde se crê Regina Silveira tomou um jogo de remontar imagens, Quebra-cabeças latino-americano, que embute o comando: Para continuar… Com que imagens você continuaria esse quebra-cabeças? A arte pode ser um quebra-cabeças de signos à espera da projeção de significados pelo outro. Esta área escura desafia pela escassez e ausência da cor para percalços da visão. Um Insólito, de Rosângela Rennó, sobrepõe camadas com impressões de imagens sobre organza de seda, instalando uma penumbra num espaço tridimensional habitado por manchas fantasmais. Puro estranhamento. Os Projetos para imagens veladas, de Ismael Monticelli, surgem porque a arte não é monopólio da clareza, da transparência. Quando a arte obnubila, ela faz o elogio da luz. Monticelli emaranha significados plurívocos da ação de

velar. A arte oculta para revelar, pois retorno do reprimido é indetenível. Passagens, de Rafael Pagatini, são pinturas pretas sobre tela perfurada – o olho atravessa os furos para chegar ao vazio paisagístico. A caixa de Tadeu Jungle certifica que Você está aqui. Você, o espectador, se encontra diante de uma obra de arte que reitera sua posição como um espelho cego. A instalação de Graciela Sacco, com uma faca pontiaguda, se enterrou em algo inapreensível, para assegurar por seu título que Nada está onde se crê no oposto da certeza de Você está aqui, de Jungle. O título Destino das imagens, de Jacques Rancière, pode ser recomposto diante dessas obras que fustigam a visão humana – Qual o destino destas imagens que põem o olhar no abismo da ausência de visibilidade?

Paulo Herkenhoff, catálogo da exposição no MARGS, 2022

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