Henrique Leo Fuhro, sob o signo Pop

Henrique Leo Fuhro, sob o signo Pop Nascido em Rio Grande, Henrique Leo Fuhro (1938–2006) foi um artista do desenho, pintura e gravura, com destaque para a xilo. Nos anos de 1960, a xilogravura de Fuhro se situa junto a gravadores Pop da madeira. Anna Maria Maiolino presentou o universo da mulher em luta por emancipação e subjetivação (A espera, Anna e O bebê, 1967) sob a lição de Oswald Goeldi e de Adir Botelho. Antonio Henrique Amaral recorreu ao corte tosco da xilo do cordel no álbum O meu e o seu (1967), em ácida crítica ao regime militar. Para ele, este álbum foi seu “ato de amor com a arte, virou a minha vida.” 1 As grandes xilos de Manuel Messias são sudários que convertem o corte em marcas do corpo e dobras da alma, justapondo significados originados na agonia de Cristo (Gólgota) e expandidos para o castigo dos escravizados (Por que me abandonastes?) e a tortura no regime militar (Não acho crime neste homem). Furho foi o xilógrafo da mais ampla paleta, enquanto em Messias a cor era drama e pathos. Samico é dono de uma virtuosa xilogravura calcada em capas e narrativas do cordel nordestino, sob meticuloso corte, linhas elegantes e olhar mítico. 132
O repertório triádico de Henrique Leo Fuhro remete a assuntos de Andy Warhol, ora citados como Batman Drácula, Elvis Presley e Speed Skater. Fuhro denota a paixão pela figura dos super-heróis de histórias em quadrinhos como o Homem Aranha. A touca ajustada na cabeça, óculos escondiam a identidade e roupas apertadas que definiam a anatomia de seus personagens do cinema (e. g., Batman e Robin, déc. 1960). Fuhro tinha amplo gosto musical: mambo, samba de breque e jazz. (o saxofone em Lance, 1969).2 Fuhro elaborou imagens de esportes como futebol, sinuca, golfe e tênis, como a Suíte Fair-Tennis (1980) de Warhol, cujo jogador lembra os esportistas do gaúcho. Glauco Rodrigues, Carlos Vergara, Pedro Escostéguy e Henrique Leo Fuhro lançaram as bases do Pop gaúcho. Dos quatro, Fuhro permanece como um tesouro secreto do Rio Grande do Sul, que, para Nádia Pasa e Paulo Sartori, merece toda aclamação. 1 In ANTONIO HENRIQUE AMARAL. Obra sobre papel 30 anos. Campinas: Museu de Arte Contemporânea, 1986. 2 ROSA, Renato.“Henrique Fuhro, Convívio, Afeto e Memória”, Revista Online & Only, ano 2, número 5. Disponível no site https://onnerevista.com.br/pdf/Onne&Only5.pdf
Paulo Herkenhoff, catálogo da exposição no MARGS, 2022


