André Severo, o arquiperiscópio indisciplinado

André Severo, o arquiperiscópio indisciplinado O arquiperiscópio de André Severo incorpora os meios tradicionais da arte (desenho, gravura, pintura, assemblagem, etc.), tecnologia industrial (fotografia como Espelho, vídeo, filme, etc.), novas manifestações da linguagem do pós-guerra (instalação, performance, livro-de-artista, lambe-lambe, arte pública, arte serial, arte conceitual, citacionismo e textos como El Mensajero, trabalhado sobre Octavio Paz), todas reconhecidas contemporaneamente, além de manifestações contaminadas entre as linguagens (música, cinema, teatro, literatura, arquitetura). Mais complexo para o público mais tradicional é o modo como André Severo incorpora como arte todo e qualquer trabalho no sistema de arte, tais como montagem física de exposições, curadoria de mostras (como a 30ª Bienal de São Paulo), reencenação de propostas conceituais de outros artistas, textos críticos ou historiográficos, editoria, educação, cursos e palestras, direção de instituições culturais (como o Farol Santander de Porto Alegre), ficar sem expor e até a organização da cabeça de seus curadores, arquitetos e designers gráficos que se envolvam em atividades de sua trajetória profissional. Essa lista é aberta, pois o regime óptico é polissêmico, múltiplo, errante, plurívoco, heterotópico. Iconófago,
devorador de Cronos. Severo é onívoro. Na exposição da coleção Nadia e Paulo Sartori no MARGS, Severo teve uma sala exclusiva poque é um artista colecionado em profundidade e variedade pelo casal de Antonio Prado com um total de 13 obras. Em seu espaço, Severo incluiu uma paisagem do “pintor pré-modernista” Augusto Boeira do acervo do MARGS. Hoje, o que mais me interessa é o espectador ativo,” 1 revela André Severo.
1 “As instalações Metáfora e Espelho rompem a condição passiva do espectador cinematográfico – seu corpo fica em repouso enquanto as imagens lhes são apresentadas na ordem montada pelo diretor. O espectador de exposições é ativo (o corpo se movimente, monta e remonta a estrutura da mostra com o deslocamento pelo espaço).”
Paulo Herkenhoff, catálogo da exposição no MARGS, 2022


